quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Intihuatana

Se um dia eu puder te tocar
Espero poder amarrar o sol
Para usá-lo quando a gente escurecer
Ou, quando for pra dividir o lençol,
Deixá-lo por mais tempo sem nascer

Se um dia eu conseguir chegar
Mesmo que com dificuldade
Ao topo desta montanha
Espero saborear o gosto da felicidade
Quando, enfim, a batalha for ganha

Eu queria, Intihuatana, um dia poder te tocar
E que, com toda a gana, eu pudesse te beijar
Guardar esse momento para sempre relembrar
Torcer pra o tempo te trazer, enfim, pra cá

Eu sonhei que a velha montanha não era tão grande
E que, assim, até cabia dentro do teu olhar
Experimentei a sensação de, por um instante,
Ser o dono daquele lugar
O único que podia te tocar...

... e acordei.

domingo, 23 de novembro de 2014

Sobre uma história sem fim com hora certa pra acabar

Queria te pedir pra não mais se explicar
Deixa que o silêncio vem me consolar
Isso é tudo o que posso te pedir pra fazer
E que a tua lembrança seja uma boa recordação
Pra que eu possa guardar num bom lugar

Eu prometo não tentar mais te entender
Prometo deixar o tempo resolver
E deixar essa ferida cicatrizar
Mas, quando ouvir no rádio a nossa canção,
Não posso prometer que não irei escrever
Dizendo que todo amor é assim:
Uma história sem fim
Com hora certa pra acabar.

Eu já me contentei...
Achei que pudesse te fazer mudar
E, no fim, fui eu quem mudei
E o meu maior erro foi crer
Que, de tanto querer,
Eu pudesse te fazer querer também...
... eu me enganei.

domingo, 28 de setembro de 2014

A paz de não mais pertencer a este lugar

Trabalhei demais e não vi o tempo passar
Estudei demais e não tive tempo pra respirar
Sorri um sorriso sempre apressado
E às vezes até esqueci do passado...

Amei demais e vi a vida me roubar

E também vi que poderia ter me dedicado mais
Tentei ganhar aquilo que já foi perdido
E percebi que não há mais abrigo

É que eu acordo, luto, batalho e canso todo dia

E sempre tento me livrar com sorrisos dessa agonia
Assim como tu fazia...
Assim como tu também fazia.

Tu encontrou a paz de não mais pertencer a este lugar

E eu, mesmo aqui embaixo, percebi que ainda dá
Pra amar quem já foi aí pra cima

Talvez eu nunca aprenda a lidar

E às vezes admito que eu possa até fraquejar
Mas essa é só mais uma das minhas sinas...

É que eu acordo, luto, batalho e canso todo dia

E sempre transformo essa dor em poesia
Assim como tu fazia...
... assim como tu sempre fazia. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Estrada

Sempre dei murro
Em ponta de faca
E nunca achei que assim
Eu poderia um dia me dar bem...
... e realmente eu nunca me dei.

Sempre temi o futuro
Nunca tive meu conto de fadas
Dei o sangue e o suor até o fim
E realmente nunca pensei...
... que poderia me dar bem.

Eu me queimei quando tentei reacender
O fogo que por tanto tempo me aqueceu
E que já havia virado apenas uma brasa

Sempre sorri pra pessoa errada
E sempre olhei com outros olhos
Pra quem não me enxergava
Sempre procurei as respostas
Das perguntas erradas

Acreditei que assim poderia sobreviver
Mas eu nunca soube o que aconteceu
Desde que me tornei página virada

Sempre caminhei pelas ruas erradas
Nunca tive sucesso na minha estrada
E olha que eu nunca reclamei
Mas eu matava a sede com águas passadas
Sabia que eu não iria dar em nada...

... e realmente eu nunca dei.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pedi licença
E fui embora
Cansado de incertezas
Eu queria pra ontem
Viver o agora
 
Deixei a mesa
Com a conta por pagar
E parti com a certeza:
Não era aquele o meu lugar
 
Pedi desculpas também
Pois um dia prometi ficar
Mas a verdade é que nem sei
Se algum dia estive lá...