quinta-feira, 23 de julho de 2015

Aquino

Passa o tempo todo com agilidade
E com facilidade nos complica
E nessa vida nada é pra sempre
De repente, não existe verdade

Passa pelo lado, passa pelo fundo

Está na frente em um segundo
E parece que ninguém pode buscar

Escapa pelas mãos o que estava perto

E, de concreto, não sei o que posso afirmar

Passa o tempo todo com velocidade

Sonha o sonho com voracidade
Luta e batalha com toda vontade
E, na verdade, nem há o que comemorar

Escapa pelas mãos o que estava perto

Escorre pelo rosto um lamento discreto
E, de concreto, não sei o que posso afirmar.

domingo, 12 de julho de 2015

Vim te visitar

Vim te visitar, passado
Fazia tempo que não te encontrava
Eu tenho muita coisa pra falar...
... estou acordado.

Toco meus pés descalços na areia
Encaro o horizonte que clareia
Observo como o mar é imenso
E como a gente é pequeno...

E vejo que o céu não para de roubar
Todas as minhas estrelas
Leva pra outro lugar
Junto com as minhas certezas...
... leva pra longe do alcance do meu olhar.

Vim apenas te visitar, passado
Não pretendo ficar
Levo comigo as lembranças
Que ainda confortam
Leve contigo o amor às pessoas que voltam.

Observo como o mar é imenso
E as pessoas são medíocres, eu sei...
Mergulhar nesse mar tem preço:
Afundar...

... mas confesso que me convém. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A saudade mais bonita

Faltou um último abraço,
Um último adeus
Uma despedida mais quente...
... mas isso faltaria sempre, eu sei

Tentei me acostumar
Com a casa mais vazia
Mas não precisei:
Percebi que tu está
Sempre me fazendo companhia...
... esquentando o peito com a saudade mais bonita.

A Vida te traz pra mim de novo
Numa oração, num cheiro ou num sonho
Pra te fazer sentir dentro de mim
Pra eu me sentir dentro de ti

Partiu sem avisar
Sem dizer pra onde iria
Mas levou um pedaço meu
Pra te fazer companhia...

... pra esquentar teu peito quando bater a saudade mais bonita.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Intihuatana

Se um dia eu puder te tocar
Espero poder amarrar o sol
Para usá-lo quando a gente escurecer
Ou, quando for pra dividir o lençol,
Deixá-lo por mais tempo sem nascer

Se um dia eu conseguir chegar
Mesmo que com dificuldade
Ao topo desta montanha
Espero saborear o gosto da felicidade
Quando, enfim, a batalha for ganha

Eu queria, Intihuatana, um dia poder te tocar
E que, com toda a gana, eu pudesse te beijar
Guardar esse momento para sempre relembrar
Torcer pra o tempo te trazer, enfim, pra cá

Eu sonhei que a velha montanha não era tão grande
E que, assim, até cabia dentro do teu olhar
Experimentei a sensação de, por um instante,
Ser o dono daquele lugar
O único que podia te tocar...

... e acordei.

domingo, 23 de novembro de 2014

Sobre uma história sem fim com hora certa pra acabar

Queria te pedir pra não mais se explicar
Deixa que o silêncio vem me consolar
Isso é tudo o que posso te pedir pra fazer
E que a tua lembrança seja uma boa recordação
Pra que eu possa guardar num bom lugar

Eu prometo não tentar mais te entender
Prometo deixar o tempo resolver
E deixar essa ferida cicatrizar
Mas, quando ouvir no rádio a nossa canção,
Não posso prometer que não irei escrever
Dizendo que todo amor é assim:
Uma história sem fim
Com hora certa pra acabar.

Eu já me contentei...
Achei que pudesse te fazer mudar
E, no fim, fui eu quem mudei
E o meu maior erro foi crer
Que, de tanto querer,
Eu pudesse te fazer querer também...
... eu me enganei.