quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cais

Hoje; os ventos chegaram mais cedo
Expulsaram, enfim, a chuva e, sim,
A partir de agora, tudo se modifica
Sem nenhuma previsão de volta

Que os ventos arrastem o meu medo
E que distanciem o mau tempo de mim
Os meus sonhos ninguém limita
E meu dever é viver sem sentir falta

Os ventos, esses sem sentido,
Estão me dando a certeza
De que aqui não é o meu lugar
E que digam coisas boas no seu ouvido
Pois a minha maior fraqueza
É o adeus que eu não pude dar

E a vida de cada um é responsabilidade
De quem ousa sustentar o seu corpo,
Sua alma, seu coração, seus pensamentos...
Sem distinção, pois somos todos iguais

E aprender que faz parte ter saudade
Passar por qualquer tipo de sufoco
Mas nada fica imóvel, quando os ventos
Chegam à cidade, a partir dos cais

E que sentido eles poderiam ter
Se não fossem mudar o panorama
Levar algo e trazer outro no lugar?
E, nessa indecisão, se aprender a viver
Com choro, sorriso, tragédia, drama...
E sempre alguém para amar

No fim, os ventos nos levam onde devemos ficar.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cruzada

E agora eu sei
Que antes de pensar
Em um outro alguém
Tenho que lembrar de mim.

E talvez seja só assim
Vivendo por ninguém
Que eu vou me encontrar
Ou me destruir, enfim.

Estou vivendo e já não sei
Se ficou em ti
A marca deste amor
Eterno para mim.

Estou morrendo e não sei
Se tudo que já escrevi
Ainda tem algum valor
... pra ti.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Aconteceu Com Um Amigo Meu

Larguei a sua mão para me despedir
Enquanto seu ônibus chegava mais perto
E, a cada metro, menos tempo pra existir
Não eu ou ela, mas o nosso amor... discreto.

Recebi dois beijos inesperados
E, ao ver-lhe partir, partiu-me o coração
Veio a imagem de um amor quebrado
E resolvi agir, sem nenhuma razão.

Corri, como nunca antes na minha vida,
E, na parada seguinte, entrei e procurei...
Eu lhe encontrei estancando a ferida,
Que doeu nela também, eu a conheço bem...

Sentei ao seu lado e nada quis dizer
Esperei que ela falasse algo sobre sua dor
De tudo, só uma coisa eu pude entender:
Ao lhe encontrar, reencontrei o amor.

Ela me perguntou:
“Por que fizeste isso?”
E eu consegui responder
De tal maneira, que nem sobrou
Algo para ela dizer:

“Uma vez, me disseram
Que era para eu correr atrás
Do que eu queria de verdade”.

Mas eles, que também erram,
Nunca encontraram a paz
Afogados num mar de saudade.

Só que, agora, quem não quer mais sou eu
E, após tanto vangloriar-se
Por ter um coração de gelo,
O dela derreteu...

E quanto a mim? Já lhe apaguei
Fiz meu coração parar de bater um pouco
Encontrei, passado o sufoco,
O sorriso que foi seu...

No dia do adeus, me disseram
Que era para eu correr atrás
Do que eu queria de verdade.

Mas eles nunca souberam
Navegar, em paz,
Num mar de saudade. 

domingo, 9 de setembro de 2012

Canção Para Depois Do Meu Suicídio

Finalmente, cheguei ao meu novo lar
Mas não vejo nada além de escuridão
Os antigos toques na minha mão
Ficaram todos em outro lugar.

Eles diziam, em vida, para eu rezar
Mas eu nunca lhes dei ouvidos
Talvez as coisas façam mais sentido
Agora que não existe luz para guiar.

O castigo é ouvir a voz de quem merecia
Estar exatamente aqui, ao lado meu,
Enganando a outros na terra de Deus
E me trazendo um pouco mais de agonia.

E a bala, que deveria te perfurar,
Está alojada, aqui, no meu coração
Ninguém pode dizer que foi em vão
Pois não há com quem conversar.

Aqui, há a dor e o medo,
Nada mudou
Mas o que sobrou?
Eu mesmo...

E todo o meu amor.

domingo, 2 de setembro de 2012

Canção Para O Meu Suicídio

Lutando contra o frio e a chuva,
Eu finalmente chego em casa
Já percebendo que sobrou nada
E nem sei de quem foi a culpa.

Apenas um prato na mesa
E ninguém para acordar na cama
Parece que, quanto mais se ama,
Menos se tem certeza.

As minhas roupas ainda por lavar
E os cigarros que eu deixei no chão
Assistem quietos a minha solidão
Que não tem hora pra acabar.

Nenhuma cerveja no congelador
Ninguém para me cobrar horários
Apenas uma voz dizendo: "Otário"
Pelo som que sai da minha dor

Palavras, como arma, é o que tenho para usar
E a música mais triste é o meu escudo
Mas eu estou tão no escuro
Que não há ninguém para eu poder atirar.

Apenas eu...
E, de tanto errar,
De tanto amar
Deixo-te somente este adeus...

Como forma de te fazer lembrar.