sábado, 6 de outubro de 2012

Impossibilidade

Tu me fizeste mudar
E depois te mudaste pra longe
E eu fiquei, aqui, por amar
A impossibilidade...

E, de tanto errar,
De tanto ouvir Visconde
Eu consegui me salvar...
Da saudade.

Um dia, tu vais sentir falta
De alguém pra sentir tua falta
Eu tenho certeza que vais
Será daqui algum tempo,
Se já não for agora...

Um dia, tu tentarás voltar
Pros braços de quem já quis voltar
Mas vai ser tarde demais
Quererás reprisar grandes momentos,
Mas será tempo jogado fora.

E eu estarei ali, do outro lado,
Fingindo estar muito bem
Fingindo que o passado não machuca
Eu estarei te colocando uma culpa
Que, no fim, é minha também
Mas é tão oculta a dor desse passado...

Que... enfim, eu não tenho certeza,
Mas acho que passei do meu limite
É triste quando, por medo,
A gente, a si próprio, agride.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pouca Vogal

Agora; tão tarde, tão depois
Eu posso escrever, rabiscar
E sei o que posso dizer, pois
Ouvi a banda que canta sobre mim

E a saudade, que tão cedo me deixou,
Tão cedo voltou a me atormentar
Eu passei a acreditar no que sobrou...
Aquele show não deveria ter fim.

E aquela banda que tocou
Ali, perto da minha casa,
Disse tudo que eu queria te dizer
Tudo que eu precisava ouvir...
Tudo sobre nós.

Aquela banda, que me encantou,
Mostrou um novo sentido das palavras
E, no fim, eu consegui entender
Que eu devo sentir e ser feliz,
Acompanhado ou só.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Debaixo Do Meu Nariz

Estou um pouco afastado de tudo
E o mundo conhece minhas andanças
O sonho era ir pro espaço, mas faltou luz
E a tua cruz é apenas a minha dança

Querem que eu ouça opiniões, mas sou surdo
E o grito que sai do fundo da minha alma
É apenas a calma que eu não encontro
Em nenhum ponto, em nenhum segundo

Eu quero é dizer que quase tudo
Acontece muito perto de mim...
E a melhor coisa do mundo
Acontece debaixo do meu nariz...

Conheço até a Oceania mais que teu corpo
E era justo o oposto que eu queria
Sonhar a dois e ficar longe do resto
Sem deixar este sentimento honesto pra depois

Descobri o amor no lugar que mais odeio
E ele, assim, veio com uma dose de medo
De não saber guardar segredo, de machucar
Não quem ousa me amar, mas a mim mesmo

Mas eu quero é dizer que quase tudo
Acontece muito próximo de mim,
Sempre estive perto de tudo que aconteceu
Isso inclui a melhor coisa do mundo,
Que ocorre debaixo do meu nariz,
É quando eu beijo os lábios teus.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Desapegar e Desaparecer

Chegou o dia, finalmente,
Pra, sem mais temer,
Desacreditar na gente,
Desapegar e desaparecer.

E a agonia, de repente,
Passou e soube esclarecer:
Até ela queria um corpo quente
E partiu sem mais nada dizer.

Mas ficou algo subentendido
Escrito no sorriso falso que deixou
Foi como encontrar um velho amigo
Que, de tão velho, nada sobrou:

Sempre alguém faz o sacrifício
De ficar com o resquício do que se foi
E, geralmente, desses vícios
A gente se arrepende... depois.

E sempre tem quem esquece tudo
Redescobre o mundo e tudo bem
Esses já sabem o quanto é absurdo
Tentar amar... alguém.

sábado, 22 de setembro de 2012

Seria engraçado, se não fosse trágico...


“É até engraçado...”. Eu queria começar a escrever assim, mas não seria sincero, não seria a realidade, não dá.

Estive procurando a razão da minha vida em um coração sem emoção, em um olhar lindo - porém falso -, em uma pureza impura. E, depois de algum tempo, comecei a perceber que a estrada não era feita para andarmos um ao lado do outro e, pelo contrário, os deuses queriam mesmo que nós fizéssemos caminhos opostos. E assim foi.

Nós até insistimos, tentamos ser mais fortes que o mundo, que sempre conspirou contra, e nada se alterou. Mas sempre fica aquela impressão de que, se déssemos um pouquinho mais, talvez fosse possível. Pena que, de concreto, esse “se” não nos apresenta nada.

E eu, que tinha o coração mais emocionado, o olhar mais escuro – porém verdadeiro – e a impureza mais pura, tive que viver outras histórias, passar por outras vidas, decepcionar e alegrar muita gente para aprender que existiam outras formas de ser feliz.

Até que um dia eu entendi o que os deuses queriam: colocar duas pessoas que se amam em direções opostas, que é para elas se encontrarem, pois, independente de onde partir, se andarmos sempre na mesma direção, voltamos para o mesmo lugar. E foi o que aconteceu.

Mas alguma coisa estava mudada, ou pouca coisa havia não mudado. O coração dela estava com emoção, o seu olhar era só sinceridade e ela estava tão pura. E então veio a pior das tragédias: o coração sem emoção, os olhos sem sinceridade e a falta de pureza, percebi no instante em que lhe toquei os lábios pela última vez, eram características, enfim, do meu corpo.

Eu me tornei gelo; o jogo virou e sabe quem perdeu? Nós dois.

Eu primeiro, ela depois...